Frustrada… é assim que me sinto… porque eu não consigo atingir os meus objectivos… não consigo vingar na vida… não consigo conquistar o meu lugar no mundo… não me reconheço como alguém que se pode destacar no meio da multidão…
Encurralada… porque a minha vida se está a afunilar em algo que não desejo… as portas fecham-se, sem que se abram janelas… por mais que lute e me empenhe as oportunidades, teimosamente, evitam-me…
Apática… porque me sinto a esvair em fraqueza… porque me sinto a perder terreno para a languidez de espírito… porque me sinto sem forças para continuar… Porque por mais punhos erguidos que tenha, há sempre um murro seco que me deixa estendida no chão…
Desiludida… porque não consigo lutar contra o sistema… porque não me consigo impor… porque a vida me enganou…
Zangada… com a vida… com a falta de justiça… com as burocracias… comigo própria porque sonhei e construí castelos de areia…
Triste… porque falhei na prioridade da minha vida… porque desiludi quem me rodeia…porque além de nada ter, sinto que nada sou…
Frágil… porque sonhei demasiado alto… porque desiludi muitas pessoas… porque me sinto uma partícula perdida neste mundo cão… porque estou a perder a minha identidade… porque sinto que a minha vida é um tremendo delírio…
Assustada… porque preciso de forças para terminar condignamente o meu castelo de areia… e porque não sei o que a vida me reserva…
By Joana Ferreira | BlackButterfly
A amizade é um sentimento mais nobre que o amor, eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o amor intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E as vezes, quando os procuro, note-se que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem em desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque esta minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem-estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim compartilhando daquele prazer. Se alguma coisa me consome e me envelhece e a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os.
(Poema de Vinicius de Moraes)