Hoje, acordei bem-disposta, coisa rara nos últimos tempos. Liguei a rádio na Antena 2 onde passava o Adagietto da Quinta Sinfonia de Mahler.
O Rui chamou-me a atenção para o facto de esta ser uma das composições mais bonitas que existe – ele gosta muito de Mahler.
- Tenta concentrar-te numa linha melódica e deixa-te levar pela música. – aconselhou-me, ao mesmo tempo que me recordou o filme: Morte em Veneza de Luchino Visconti baseado na obra de Thomas Mann com o mesmo título, onde este adagietto de Mahler foi utilizado.
António Cartaxo, autor do programa citado, explicava que, na obra de Mahler, existe uma componente filosófica muito acentuada onde o compositor, “adepto” de Nietzsche, tenta levar o ouvinte a reflectir sobre questões existenciais.
A música, quando é bela, tem o poder de gerar diferentes estados de espírito, à medida que o “drama” se vai desenrolando, e é nesse estado que muitas vezes atinge fronteira do inexplicável que mergulhamos nos sentimentos mais profundos, onde parece cessar a existência vivencial e, logicamente, é nesse exacto momento que surgem as tais questões que ensombram os espíritos do homem: “Vivemos para quê?”
O poder que a música tem!