O maior nozinho, apertinho é por ti...
Não consigo imaginar como poderia ter crescido sem ti a “bater-me” e encostar-me a um canto. Sem ti a ir descobrir comigo o parque, às escondidas, nas fugas pela varanda. Sem ti para te falar dos meus sonhos maus, porque eram os mesmos que os teus e de qualquer miúdo. Sem ti a quereres ir para a escola antes do tempo, porque eu ia, com a minha mochilinha, mais crescida. Sem ti a quereres imitar-me por me admirares, já com 5 anos. Sem ti, para fazer de índia nas nossas cowboyadas em cima da cama, entre tanta galhofa. Sem ti, para fazer de médica, quando te espetava a tesoura acidentalmente na perna. Sem ti, para fazer de advogada, ao inventar desculpas para os almoços de cachorro quente em vez das sopinhas das cantinas. Sem ti para me de cúmplice dos teus esquemas e sofrer os mesmos castigos. Sem ti para fazer duetos de “quejinhos frescos” e “Mini stars” e me esquecer dos meus enjoos de viagem, ao tentar cantar inglês. Sem ti para imitar as lutas livres americanas e fazer de tom quando tu eras o jerry. Sem ti para fazer de Inspector Gadget e descobrir abrigos secretos para onde pudéssemos fugir das tempestades familiares e conspirarmos contra eles. Sem ti para fazer de McGyver e tentarmos pensar em como consertar e disfarçar as nossas asneiras, sem que os nossos "Murdoch's" nos apanhassem. Sem ti, para fazer de Maria de música do coração e tomar conte de ti e proteger-te. Sem ti para fazer de professora e ensinar-te as matérias dificeis. Sem ti para me ensaiar como mulher e partilhar as primeiras paixões e perceber, através de ti, como elas funcionavam para os homens. Sem ti, para me descobrir como viajante e amante dos lugares do mundo. Sem ti, para fazer de actriz dos meus filmes de amor porque me fazias acreditar que eram possíveis, pela forma como te reinventavas para a poder amar mais e melhor. Sem ti, para te falar das minhas inseguranças e fazer de top-model quando te pedia opinião sobre o que vestir, para ficar mais bonita. Sem ti para me fazer de paranóica e tu de psiquiatra já sem paciência. Sem ti para me fazer de mais boémia e esticar as noites de euforia contigo. Sem ti, para te fazer o meu companheiro de sempre. Posso amar muitos homens, Nunca nenhum como a ti. Tu és o meu pequeno príncipe. O verdadeiro.Hoje disseste, entre dentes, quando não estava a contar “vou sentir saudades tuas”. Olhei-te e baixaste o olhar para dizer “estive tão pouco tempo contigo”… e quando senti o mesmo, ao ver-te tão comovido, comovi-me da mesma forma. Partiste-me por dentro, por ir partir e te deixar aqui, neste momento em que me precisavas por perto. Por não conseguir ficar e não conseguir ir, contigo cá. Disse-te que em um mês voltaria e que te daria todo meu tempo, ainda que pouco… mas e o que fazer com este mês? Como estar do teu lado, quando estarei longe? Disseste-me, mais uma vez, “tens que ir, isto é muito pequeno para ti e para o que podes ser. E sei que amas aquela cidade..”. E sim…mas e o que faço com meu amor por ti, que sinto ficar em falha? Falámos da nossa heroína, de como está em todas as frentes de batalha, corajosa e destemida. Quando falaste da última, em que estiveram juntos, senti-me tão orgulhosa pela vossa coragem. Senti-me tão orgulhosa de serem vocês a minha família. Falámos da medalha de honra que lhe daremos. Fizemos planos para a recompensar por todos os esforços e conquistas. E nunca me esquecerei da tua comoção, uma que nunca te tinha visto. A tua voz embargada, o teu soluço a escapar por entre um riso misturado com o choro, que tinha de fazer uma pausa, para sair de rompante, a seguir. Foi a expressão emocional mais intensa, violenta e bonita que vi até hoje. Pudera pegar-te ao colo, pudera pular o tempo contigo. Pudera levar-te para longe da solidão que sentimos todos. Não posso. Às vezes sinto-me culpada por não te poder proteger da vida, às vezes dura, como te prometi. Disseste-me, no fim, com um sorriso tão bonito “Hoje é domingo. Lavámos a alma”. Disseste "vou ser forte, pela nossa heroína, mas ao domingo espero por ti!". E sim, pequenino, eu venho ter contigo e lavamo-la, os dois. E isso sim, posso e quero fazer contigo sempre. A partir de hoje, deixam de ser os meus domingos. Passam a ser os nossos. Sente-me sempre do teu lado, porque é aí que estou sempre. A cada dia que te vejo crescer como homem, tenho mais orgulho daquilo em que te tornas. Todos dizem que és das pessoas mais bonitas que existem. És mesmo. Hoje não és tu que aprendes comigo. Sou eu que te vejo e quero ser como tu. Forte, doce, sensível, como tu. Hoje sou eu que te vejo a pôr a tua mochilinha pesada às costas e me pergunto quando aprenderei eu a levar a minha, assim como a levas tu.
by love sister


