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Historial de Lagares da Beira
A freguesia de Lagares d Beira, integrada no concelho de Oliveira do Hospital, que cuja sede desta aproximadamente sete quilómetros , conforta com as freguesias de Travanca de Lagos, Lageosa, Meruge e Ervedal da Beira. Os seus 13,42 quilómetros quadrados de superfície convertem-se numa grande planície salpicada por suaves colinas nas margens bruscas e férteis dos rios Cobral, Seia e Foicinhas e da ribeira do Linhares. Trata-se de uma das terras mais importantes da Beira pela sua extensão de fértil solo que, banhado pelos vários cursos de iguais supracitados, produz grande abundância de milho, feijão, batata e cereais. Produz azeite e bom vinho, para além de integrar nos seus termos extensas matas de pinheiros, carvalhas e outras árvores. Implantada no centro da Beira Alta, num terreno granítico-arenoso, a cerca de 1.400 metros de altitude, usufrui de um clima seco, com grandes oscilações de temperatura que rondam os 5 e os 35 graus. Actualmente, a freguesia desenvolve-se em torno de uma parte central de terras baixas e por vezes húmidas, cercada por um arruamento principal (a que o Lagarense chama de “atar a chouriça”) do qual se destacam bairros, estradas, vielas e larguitos caprichosos, como por exemplo, os bairros da Feira, do Cimo, do Rossio e da Quinta da Pica, entre outros. O núcleo primitivo não tem hoje qualquer reconhecimento, pois situava-se junto a actual Capela de Nossa Senhora das Dores, onde se encontrava o Pelourinho de fuste sextavada, retirado quando por ali passou a estrada Oliveira do Hospital – Oliveira do Conde. De notar que parte do Pelourinho se encontra a servir de coluna num alpendre duma casa particular próxima. Próximas ficavam também a casa da Câmara e da Cadeia, ainda hoje existentes, embora adaptadas a habitações particulares. Os modestos monumentos atestam a vida serena de um povo de trabalhadores, onde as paixões políticas nunca foram violentas nem duradouras. Reminiscência do passado salienta-se a existência de algumas sepulturas antropomórficas ( Ribeiro do Mouro) e matoponímia de terrenos de cultura, como Arcainha e Vald´Arca que revelam origem pré- histórica. Do período romano, conserva ainda parte de uma via em bom estado que ligava, provavelmente Viseu a “spendissíma civitas “ da Bobadela, passando por Travanca de Lagos, onde foram encontrados também alguns marcos miliários. Da influência árabe, chegam alguns “cavaleiros ou zangarelhos” aparelhos utilizados para tirar água dos poços, assim como, até há pouco tempo, algumas noras junto ao rio. Com efeito, o próprio biótipo predominante ( características na Beira Alta) apresenta feições árabes com indivíduos morenos, de olhos pretos, cabelo negros e baixa estatura. Por outro lado, alguns dos idosos locais tem ainda o hábito de descalçar os “tamancos ou as chinelas” antes de entrarem nas casas mais abastadas. Os registos linguisticos, por seu turno denotam origens galaicos, como por exemplo, o ch pronunciado por tch, como “tchiba”, “ tchamar”, “tchincar” e “tchinelos” , entre outros exemplos que se poderiam apresentar. Nos primórdios da Monarquia Portuguesa, o priorado de Lagares da Beira dependia do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, ao qual pagava as dizimas, foros e rendas. Durante o reinado de D. Dinis passou como seu “Conto” para a Universidade de Coimbra, com todas as suas regalias, entre as quais, a cobrança de impostos, a apresentação dos párocos e a confirmação das nomeações dos servidores da sua governação Municipal (das Assembleias de vizinhos as de homens bons). Em 15 de Maio de 1514, El-Rei D. Manuel I, o Venturoso, concedeu-lhe foral cf. Livro dos Foraes novos da Beira, ft.90v., col.2.r, em cujo documento era designada por “Lugares”. Lagar da Beira, ou simplesmente Lagares foi sede de concelho com cargos de juiz de órfãos (crime e cível), Tabelião Judicial (Furadores das decimas e sisas), Vereadores, Procuradores do Concelho e Escrivão Municipal. Tinha criado como Companhia de Ordenanças das Comarcas de Viseu, posteriormente da de Seia (1570) e, mais tarde a de Midões (1885). Durante as lutas entre absolutistas e liberais, neste concelho, entre “Miguelistas e Liberais”, foi assassinado o fidalgo miguelista João Soares Garcia Mascarenhas, apanhado numa emboscada na canada da Azinhaga, próximo da sua casa senhorial edificada no séc.XVII e hoje, infelizmente, modificada. Apenas resta a fachada das janelas da sacada no altar nobre e a Capela de Santo Cristo, encostada á casa a que pertencia com lápide sobre a porta e que diz: ” IHS MARIA IOZEPH. ESTA CAPELA MANDOU FAZER ANTÓNIO GARCIA E A SUA MOLHER NO ANNO DE 1648”. Do livro de actas da Câmara de Lagares, que servia as sessões de 1831 e 1836, registam-se algumas curiosidades. Com efeito, em sessões solene de 14 de Setembro de 1831, com um Auto de Aclamação e Felicitações a D. Miguel, segue uma nova acta datada de 18 de Agosto de 1834, que regista um novo Auto de Aclamação e Felicitações, mas desta feita , a D. Pedro IV e D. Maria II. Todavia, apesar desta clara acomodação aos dois regimes, o concelho foi extinto em 1885 passando, desde então, Lagares da Beira a integrar o município de Oliveira do Hospital. Os párocos foram designados por curas e depois vigários propostos pela Universidade, recebendo 40$00 reis de conjura. Mais tarde, o doutor Pedro Augusto Monteiro Castelo-Branco, oriundo desta freguesia, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, e mais tarde elevado a chefe Progressista do nosso distrito fez tudo para repor o Concelho a Lagares, mas, de nada valeu o seu esforço passando Lagares a ser apenas como hoje uma simples freguesia do Concelho de Oliveira do Hospital. Só até 7 de Junho de 1874, Lagares da Beira foi elevada a priorado pelo Bispo-Conde D. Manuel Correia de Bastos Pina em recompensa do seu florescente desenvolvimento e das devoções religiosas dos Lagarenses. Agora, avançando um bocado mais na história de Lagares, não podemos nos esquecer referência a uma pessoa que teve um grande contributo no desenvolvimento do nosso concelho, especialmente nesta freguesia de Lagares da Beira, sua terra natal, essa ilustre pessoa foi o Dr. Francisco Borges Mendes Cruz, que nasceu em 18 de Novembro de 1845 em Lagares da Beira e foi baptizado no dia 4 de Dezembro do mesmo ano. Seus pais, pessoas ilustres da época, Manuel Mendes Borges Cruz, Homem de grandes qualidades morais e profissionais desempenhava o papel de Escrivão Notário em Oliveira do Hospital e Dona Ana Máxima Mendes Cruz foram os grandes responsáveis pela excelente educação que deram ao seu filho, devido às virtudes e á bondade que lhe transmitiram. Passados alguns anos terminou os seus estudos do liceu, teve sempre grandes êxitos nesses mesmos estudos, o Dr. Francisco Borges Mendes Cruz matriculou-se na Faculdade de Direito de Coimbra no ano de 1867. Decorridos 5 anos tinha carta de Bacharel. Instalada na sua terra, Lagares, começou a exercer a profissão de advogado que com o seu brilho e renome, já característico da sua família, exerceu quase até ao término da sua vida, ou seja até pouco antes de morrer, a 24 de Outubro de 1916. Casou-se aos 31 anos, 3 de Julho de 1876, com Dona Elisa Amélia Augusta d´ Antas de Figueiredo Manso Preto, senhora de exemplares virtudes como esposa e como mãe, na Sé de Coimbra, Filha de António da Rocha d´ Antas Mendonça Gersaint e de Dona Maria José de Figueiredo Castelo Branco Manso Preto. Sabe-se também que tiveram 10 filhos, do qual, se destacam algumas figuras públicas importantes naquela época como Dr. António d´ Antas Manso Preto Mendes Cruz, que foi Capitão do Mar e Guerra, o Comendador daquela época o Dr. Manuel d´ Antas Manso Preto Mendes Cruz e por fim o Dr. Raul d´ Antas Manso Preto Mendes Cruz que foi Major do exército.
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Interests
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Curiosidades sobre Lagares da Beira
Notas Históricas, Artísticas e Culturais
Lagares da Beira teve estatuto municipal, conferido pela sua primeira carta de foral que D. Manuel l concedeu em 15 de Maio de 1514. O concelho foi extinto por decreto de 6 de Novembro de 1836. A freguesia foi elevada a priorado em 1874 pelo Bispo-Conde D. Manuel Correia de Bastos Pina, em recompensa pelo seu florescente desenvolvimento e pela devoção religiosa dos lagarenses. Foi Couto de Mesa do Priorado-mór da Santa Cruz de Coimbra, passando com ela para a Universidade que aqui exerceu jurisdição de civil e crime. Da mesma Universidade era o Padroado da Igreja. Foi elevada à categoria de Vila pela Lei n.º 57/95, de 30 de Agosto.
Património Religioso
• IGREJA PAROQUIAL- Dedicada a Nossa Senhora da Conceição, é um templo modernizado no Séc. XlX, através de uma reconstrução muito abrangente, nada mantendo da estrutura ou decoração da antiga construção. Os retábulos são igualmente recentes. No seu interior foram encontradas algumas esculturas de calcário com assinalável importância e valor, uma delas uma imagem de S. Miguel, do Séc. XV, e uma outra de S. Sebastião, partida pelas pernas, dos Sécs XV – XVl. Existem outras obras de arte sacra, do Séc. XVl, renascentista, designadamente imagens de Santa Catarina, Santo António e Santa Margarida.
• CAPELA DE SANTO CRISTO – Está encostada à casa nobre a que pertencia. É um pequeno edifício de aspecto austero, com porta sob uma lápide em que se lê: IHS MARIA IOZEPH ESTA CAPELA MANDOV FAZER ANTONIO GARCIA E SUA MOLHER NO ANNO DE 1684. O interior encontra-se desmantelado.
• CAPELA DE NOSSA SENHORA DAS DORES – Da segunda metade do Séc. XVll, é uma construção de estilo barroco que se encontrava muito danificada.
Património Civil e Natural
Existem diversas casas do final do Séc. XVlll e da primeira metade do Séc. XlX, movidas de guarnições, em contraste com as do Séc. XVll, como é a da Família Telles Diniz, de sacadas no andar nobre duma estrema secura. Outras construções de grande significado patrimonial existem na Vila, algumas delas com uma relação muito directa ao facto de muitos naturais de Lagares da Beira terem optado pela emigração para países africanos e Brasil, onde conseguiram fazer fortuna. Enriquecem esse património a Casa da família Cruz, do Séc. XX, casa senhorial em granito que chama a atenção pela sua beleza arquitectónica onde se destacam as cantarias e as colunas salomónicas; a Casa da família Tavares, casa senhorial com belo portal de cantaria com postilo em ferro forjado, encimado por brasão. De considerável valor é também o edifício da antiga Escola Primária, à qual estão agora atribuídas funções no âmbito cultural, através da criação de uma Biblioteca / Ludoteca. Os fontenários da Vila destacam-se também pela sua rara imponência e beleza, sendo exemplos disso a Fonte da Igreja, Séc. XlX, com ornatos simples do Séc. XVll; a Fonte de S. João, de 1905, fonte de linhas harmoniosas e sóbrias, a Fonte da Feira, de 1928; a Fonte do Sardão; a Fonte do Rossio, de 1950 e a Fonte do Copinho. O Largo Dr. Agostinho Antunes, recentemente valorizado com uma intervenção de grande qualidade, surge-nos como uma excelente combinação entre património construído e património natural. Para além do antigo edifício da escola primária, implantado num dos topos deste belo espaço urbano, encontra-se, sensivelmente a meio, o Coreto, restaurado recentemente. A valorizar ainda mais todo o conjunto, existe ainda um Carvalho "Quercus robur L.", árvore classificada de interesse público e um pinheiro manso, árvore também secular. Também secular é um Eucalipto, cuja imponência se mostra em frente ao cemitério da Vila.
Património Arqueológico
Na freguesia foram encontrados vestígios de sepulturas antropomórficas, nomeadamente na Quinta do Ribeiro do Mouro e na Raposeira. Da presença romana na península existem também alguns vestígios, como seja uma calçada romana, da qual se conserva ainda uma parte em bom estado e que, segundo estudos científicos, ligava Viseu à "splendissimae civitati" de Bobadela, passando por Travanca de Lagos.
Cultura e Desporto
A actividade cultural é muito variada abrangendo áreas como o folclore, escola de música, fanfarra e outras. São seus protagonistas a Associação Recreativa e Cultural de Lagares da Beira, o Rancho Folclórico e Cultural de Lagares da Beira e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários. Em termos desportivos, a Vila é dotada de campo de futebol, campo de ténis e polidesportivo, estando a sua dinamização a cargo da Associação Desportiva de Lagares da Beira.
Artesanato e Produtos Endógenos
O artesanato local é muito bem representado pela talha dourada e pelas rendas e bordados, enquanto que a gastronomia, muito típica, apresenta produtos como os bolos doces "de Lagares", as passas de pêra de S. Bartolomeu, as "charcadas" e as "fogaças".
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