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Amoro-te
Desejo inventar palavras.
As que conheco parecem-me poucas,
Insuficientes,
Demasiado comuns e pequenas.
as vezes fico dividido
Entre duas palavras
E essa divisao nao surge, sequer,
Entre a palavra que quero dizer
E a que imagino que queres ouvir.
Apetece-me dize-las as duas,
Numa so.
Como se ambas fossem uma,
Num unico significado,
Abrangedor de ambas.
Hoje quero dizer que te adoro.
Porque es como o meu astro regente,
Que me da vida
E que eu venero como a um Deus, intocavel.
Mas tambem quero dizer que te amo,
Que es tao igual a mim que podemos ser um so,
Penetraveis!
E nessa palavra que possuisse os dois significados,
Ponte entre o intocavel e o penetravel,
Queria dois pilares de silencio.
Que suportassem os dois significados.
Um pilar de silencio
No momento em que a ouves,
Por nao a conheceres.
E um outro feito do silencio do momento seguinte,
Em que das conta do plural do significado,
E engoles em seco a palavra nova que sai da minha boca
E que te impede de dizer que me queres.
Inventei agora essa palavra:
Amoro-te!
E amoro-te porque te amo e te adoro
E quando digo que te amo nao esqueco que te adoro
E quando te digo que te adoro, lembro-me que te amo
Quando digo so uma dessas palavras
Nao digo tudo
E o que nao digo
Fica-me preso na garganta
Como azia
E amoro-te lembra-me amoras..
Digo amoro-te
E fico com um gosto doce na boca
as amoras
A amores
Que se adoram
Porque sao doces.
Mesmo quando nao estas comigo.
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