Dizia uma personagem de uma série de ficção, que existe um "Clube dos Pais Mortos". Só se sabe da existênica desse clube quando já fazemos parte dele. Antes disso simpatiza-se, tem-se compaixão, é-se solidário com a dor do outro, lamenta-se...mas não se faz parte, nem se tem verdadeiro conhecimento da sua existênica, assim como não se escolhe fazer parte dele.
Gostei da metáfora. Identifiquei-me com ela. Sinto que faço parte desse "Clube", assim como noto que aqueles que já faziam parte dele me olham agora como um deles.
Nenhum de Nós queria pertencer a este grupo. Nenhum de Nós nunca sequer pensou nem imaginou como seria estar lá. Ninguém pensa..ninguém quer pensar. Assusta, dá um medo que paralisa cada músculo do nosso corpo só de pensar que tal tragédia possa abater sobre as nossas vidas. Eu sei...eu já estive desse lado.
Agora estou deste. Um lado marcado sobretudo pelo silêncio. Ao contrário do que imaginava, não há uma necessidade extrema de falar, de desabafar, de expôr e partilhar. Se tiver que escolher uma palavra para definir este lado, será essa mesma: Silêncio. Não se fala muito por aqui.
Vive-se, caminha-se, segue-se o rumo antes predestinado, agora sacudido e que nos faz duvidar desse mesmo destino marcado. Mas segue-se em frente, com receios, com vacilos, devagar, ao ritmo que cada um escolhe para si, caminhando quase sempre em silêncio.
Falar? Podemos falar... Mas para quê? Dizem, (os do outro lado, os que não fazem parte do Clube), que ajuda..que faz bem. Mal não faz..eu sei que não. Mas não tem sequer o efeito de uma aspirina fraquinha que mal alivia uma dor de cabeça, e por mais que se tente, não se explica, não existem palavras, não existem vocábulos, nem expresões idiomáticas que traduzam o que vai cá dentro.
Uns desabafam, outros rezam, outros introspectivam e reflectem sozinhos, há quem trabalhe desalmadamente e tente preencher cada espacinho do dia para não haver tempo para fazer nada do que os outros fazem, visto que não lhes adianta de nada, há ainda quem se entregue à incapacidade de lidar, entender e aceitar algo que não tem explicação, nem nunca vai ser realmente aceite.
Eu escrevo, vejo fotografias, e fecho os olhos e revejo, como um filme, milhões de imagens, momentos, lembranças que me marcaram desde sempre...e choro.
A todos os meus Amigos e conhecidos que não fazem parte do Clube, obrigada pela ajuda que me têm dado, pelo esforço de me apoiar, querer estar ao meu lado e fazer-me sorrir.
Aos que já fazem parte do Clube, e que podem até nem ser tão próximos de mim quanto isso, mas que sabem aquilo que eu estou a sentir...lamento não ter estado mais presente quando precisaram, mas também ainda não sabia como era estar aqui.
Áqueles que se afastaram, por cobardia, por não quererem se envolver demasiado numa dor que é só minha, por acharem que não estavam à altura, por acharem que não eram assim tão necessários, por terem vidas tão ocupadas ou por falta de ocupação mas excesso de egocentrismo e falta de carácter......obrigada por se revelarem tal como são.
Beijos e xi-corações para todos os meus AMIGOS, pilares de estabilidade e segurança na minha vida!