o verão passa a correr, já la foram os dias de festa. com o setembro a aproximar está a chegar a hora de partir novamente, deste local de memórias onde guardo os meus sentimentos.
os amigos ajudam o tempo a passar, a mente a distrair a alma a divagar. mas chega sempre aquela altura do dia em que ficamos só para nós, em que nos entregamos aos nossos sentimentos, em que nos fechamos no quarto que é o nosso pensamento.
penso e rempenso, exploro o meu pensar, vasculho as minhas memórias no baú que é o meu cérebro, acabo por sorrir, acabo por lembrar...
arrumo o meu quarto físico e real, aquele onde guardo as minhas memórias não em jeito de pensamento mas sim material, abro as gavetas de madeira que guardam os preciosos objectos, do de caras com as coisas do meu passado que volta de novo a ser presente, reabro as gavetas dos sentimentos, sorrio enquanto uma lágrima forma-se no canto do olho, sorrio enquanto o coração se contrai.
o mal está feito, fecho rápido a gaveta lisa de madeira, mas não encontro o puxador das que guardam as memórias dentro de mim que saêm em desgarrada e não as consigo segurar...
vo-me abaixo, caio na cama... respiro duas vezes e volto a olhar para cima...
puxo o metal que serve de chave ao compartimento pesado e volto a olhar o que antes me fez estremecer, a cada objecto retirado do seu envolcro soma-se uma história, empilha-se uma memória. sento me na cama a recordar, não com a mágoa inicial mas com a alegria doque aqueles momentos foram. volto a arrumar os sentimentos bem juntinhos e aconchegados no coração e fecho a gaveta com a chave da saudade que guardo bem junto ao meu peito,
num local onde só eu posso chegar........