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Vila Nova de Poiares Entre as Serras do Carvalho, Soutelo, Atalhada e Bidueiro, as terras de Poiares conhecem a frescura das águas do Mondego, do Alva e do Ceira. São linhas azuis que sulcam terras e marcam a paisagem com galerias de árvores frondosas que escondem o cantar de muita passarada. No Verão são frescas e sulcadas por gente alegre que em canoas coloridas descobre a mansidão dos meandros, aprende nome de pássaros e admira o perfil estático dos muitos pescadores que conhecem o lugar dos bons pesqueiros e sabem, pelo saltitar da bóia, os barbos, as bogas ou as trutas que são "enganados" pelo anzol. Mas é o grés de grão fino, a argila, os Castanheiros, os Salgueiros e as Mimosas que dão a Vila Nova de Poiares a sua tão distinta personalidade: os cestos de castanho e mimosa saem das mãos de sábios artesãos que sabem, por herança, como dominar as madeiras e perpetuam para a história a utilização dada a muitas peças. Os cestos tinham distintas funções e logo distintos segredos. Pequenas nuances na forma tornavam-nos aptos a transportar sal. Mas havia também os de carrego. E até os de água!...Na Ervideira ou nos Casais lá continuam filas de cestos á nossa espera.Em Olho Marinho é a cozedura final que torna os barros pretos. Negros, da cor do fumo que penetra nos poros do barro forte que nesta fase, já adquiriu forma e desfilará fumegante em muitas mesas. São caçoilos e não há chanfana que se preze, que lhes possa escapar.Na Ervideira há, como nos muito antigos gineceus, mulheres pacientes e sábias que, com um canivete, dão forma à madeira de Salgueiro. É um trabalho minucioso, inspirado num universo feminino: rocas, fusos,sarilhos ou dobadoiras. Há também barcos, árvores, mesas, palmeiras ou palitos de pá e pestana que dizem ter sido uma invenção das Monjas do Lorvão.É aliás em documentos do Mosteiro do Lorvão que sabemos que desde meados do Século IX as terras de Poiares eram habitadas. Antigo é também o culto a Nossa Senhora das Necessidades. A sua capela junto à Risca Silva continua a ser local de devoção. E como sempre há grande arraial e fogo de artíficio na véspera. No segundo fim-de-semana de Agosto não há quem não cumpra promessas, e não renove a sua fé na Senhora.
Depois, e porque é festa, à mesa não faltará a chanfana.
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May 16, 2008
10:18 PM
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